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Arquivo para o mês “novembro, 2014”

Amor e carinho

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O amor

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Harley Davidson maravilhosa 1986

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A vida muda

A vida me ensinou a dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração,sorrir às pessoas que não gostam de mim, para mostrá-las que sou diferente do que elas pensam,calar-me para ouvir, aprender com meus erros,afinal, eu posso ser sempre melhor!
Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade,
Para que eu possa acreditar que tudo vai mudar,a abrir minhas janelas para o amor.E não temer o futuro,A lutar contra as injustiças.Sorrir quando o que mais desejo é gritar todas as minhas dores para o mundo.
Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade.Para que eu possa acreditar que tudo vai mudar.

Desconhecido

1979 e 1985 Não Me Sinto Mudar

Não Me Sinto Mudar

Não me sinto mudar. Ontem eu era o mesmo.
O tempo passa lento sobre os meus entusiasmos
cada dia mais raros são os meus cepticismos,
nunca fui vítima sequer de um pequeno orgasmo

mental que derrubasse a canção dos meus dias
que rompesse as minhas dúvidas que apagasse o meu nome.
Não mudei. É um pouco mais de melancolia,
um pouco de tédio que me deram os homens.

Não mudei. Não mudo. O meu pai está muito velho.

As roseiras florescem, as mulheres partem
cada dia há mais meninas para cada conselho
para cada cansaço para cada bondade.

Por isso continuo o mesmo. Nas sepulturas antigas
os vermes raivosos desfazem a dor,
todos os homens pedem de mais para amanhã
eu não peço nada nem um pouco de mundo.

Mas num dia amargo, num dia distante
sentirei a raiva de não estender as mãos
de não erguer as asas da renovação.

Será talvez um pouco mais de melancolia
mas na certeza da crise tardia
farei uma primavera para o meu coração.

Pablo Neruda, in ‘Cadernos de Temuco’

Chega

“Mas chega, se não houve troca, chega, porque amar sozinho é solitário demais, abandono demais, e você está nessa vida para evoluir, mas não para sofrer.Hoje eu acordei sem ter quem amar, mas aí eu olhei no espelho e vi, pela primeira vez na vida, a única pessoa que pode realmente me fazer feliz. ”
Tati Bernardi

Em Tuas Mãos

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A Fé Move Montanhas

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Que a felicidade vire rotina

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O que me lembro desse dia…

O que me lembro desse dia…

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Termos uma rainha entre nós não alterou em quase nada a nossa vida, era o que eu pensava. Naquele dia, eu não esperava ver a morte tão de perto, afinal eu era jovem e tolo. Meu comandante montado no cavalo por trás do estandarte sorria para os homens que tinham o corpo todo tatuado com figuras azuis. As crianças choravam atrás de nós e as mulheres rezavam aos Deuses enquanto os homens dançavam cada vez mais perto, com as lanças e as espadas rodopiando à luz do sol daquele fim de tarde. Homens como aqueles não precisavam de escudos nem de roupas nem de armaduras. Os Deuses eram a sua proteção e a glória a sua recompensa e, se conseguissem matar meu comandante, cantariam a sua vitória durante longos anos. Avançaram um de cada lado do nosso campeão que equilibrava a sua lança enquanto se preparava para enfrentar o ataque enlouquecido que marcaria também o início do ataque de toda a linha inimiga.
E foi então que a corneta soou.
A corneta soltou uma nota clara e fria como eu nunca tinha ouvido. Havia pureza naquela corneta, uma pureza fria e firme como não existia em toda a terra. Soou a primeira vez, soou a segunda, e o segundo toque foi suficiente para fazer parar até os homens nus e fazê-los olhar para leste, de onde viera o som.
Eu também olhei.
E fiquei deslumbrado. Era como se um novo sol se tivesse levantado naquele dia já chegando ao fim. A luz espalhava-se pelas pastagens, cegando-nos, confundindo-nos, mas depois a luz deslocou-se suavemente e vi que era apenas o reflexo do verdadeiro sol num escudo tão polido que parecia um espelho. Mas aquele escudo era segurado por uma mulher como eu nunca tinha visto antes: uma mulher magnífica, uma mulher montada num cavalo magnífico e acompanhado por outros homens que faziam um contraste gritante com ela. Uma horda, de homens surpreendentes, homens emplumados, homens vestidos de armaduras, homens saídos dos sonhos dos Deuses para virem para aquele campo assassino, e sobre as cabeças emplumadas desses homens flutuava ao vento um estandarte que eu viria a amar mais do que qualquer outro em toda a terra de Deus. Era o estandarte da minha rainha.
A corneta soou uma terceira vez e, de súbito, eu senti que ia viver e comecei a chorar de alegria. Todos os nossos lanceiros choravam e gritavam ao mesmo tempo e a terra estremecia sob os cascos dos cavalos daqueles homens que pareciam deuses e que vinham para nos salvar.
Minha rainha tinha, finalmente, chegado. Também não me lembro de muito do que se passou naquele tumulto, pois tudo o que queria fazer era olhar para ela.
Ele montava sua égua, um animal enorme e negro com topetes felpudos e ferraduras de ferro apertadas aos cascos com tiras de couro. Todos os homens de minha Rainha cavalgavam animais igualmente corpulentos e de narinas rasgadas para poderem respirar com mais facilidade. Os animais pareciam ainda mais assustadores devido aos extraordinários escudos de couro rígido pendurados à frente para lhes proteger o peito dos golpes das lanças. Os escudos eram tão espessos e incômodos que os cavalos não podiam baixar as cabeças para pastar no fim da batalha e minha rainha ordenou a um dos seus lacaios que tirasse o escudo para que sua égua pudesse comer. Cada um dos cavalos precisava de dois lacaios: um para tratar do escudo do cavalo, do tecido que o cobria e da sela, e o outro para guiar o cavalo pelo freio, enquanto um terceiro servo carregava a lança e o escudo do guerreiro. Minha rainha tinha uma longa e pesada lança, quem a levava era o seu campeão, enquanto o escudo, era feito de tábuas de salgueiro cobertas com uma camada de prata batida, tão polida que ofuscava. Pendurada à ilharga trazia uma faca e a famosa espada, que pertencera ao seu rei, morto na batalha anterior, na sua bainha preta adornada com fios de ouro cruzados.
De início não conseguia ver-lhe o rosto, pois tinha a cabeça coberta por um elmo com as fendas para os olhos e o buraco escuro para a boca, era feito de ferro polido decorado com espirais em prata e tinha no alto uma grande pluma de penas brancas de ganso. Havia naquele elmo lívido alguma coisa que lembrava a delicadeza. A sua capa era branca, tal como a pluma. Trazia a capa, que ela exigia sempre limpa, sobre os ombros para afastar o sol da sua cota com armadura de lâminas metálicas em forma de escamas. Eu nunca tinha visto armaduras daquelas, embora me tivessem falado delas e, ao ver minha rainha, senti um desejo irresistível de ter uma cota assim e principalmente de ser digno de usar uma armadura como essa. A armadura era romana, feita de centenas de placas de ferro que não eram maiores do que a ponta do polegar, cosidas em filas sobrepostas por cima de uma cota de couro até o joelho. As placas eram quadradas em cima, com dois buracos para o fio de coser, e pontiagudas em baixo e as escamas eram sobrepostas de forma a que uma lança encontrasse sempre duas camadas de ferro antes de bater no couro resistente por trás das escamas. A rígida armadura tilintava quando ela se mexia, e não era apenas som de ferro, pois os seus ferreiros tinham acrescentado uma fila de placas de ouro à volta do pescoço e espalhado escamas de prata por entre o ferro polido, para que toda a cota parecesse cintilar. Exigia horas de polimento diariamente para evitar que o ferro enferrujasse e depois de cada batalha faltavam sempre algumas placas que teriam que ser reforjadas. Eram poucos os ferreiros que conseguiam fazer uma cota daquelas e muito poucos tinham possibilidade de comprar uma, mas minha rainha tinha tirado a sua de um chefe militar que matara, porque ele tentara violentar a rainha que nunca aceitou o seu pedido de casamento. Além do elmo, da capa e da cota de escamas, usava botas de couro, luvas de couro e cinto de couro onde estava suspensa a espada na sua bainha adornada com a cruz que, supostamente, protegia de todos os males quem a usava. Para mim, deslumbrado com a sua chegada, ela parecia uma deusa branca e reluzente descendo à terra, e não conseguia tirar os olhos dela.
Abraçou seu comandante e os ouvi rir. Seu comandante era um homem alto. O seu principal comandante era só músculos e corpulência, enquanto minha rainha era uma mulher delicada. Meu comandante ajoelhou-se perante sua rainha e, com uma delicadeza surpreendente para um homem com tão pesada armadura, levantou uma mão enluvada para segurar o elmo e liberar a cabeleira de minha rainha, sufocada pelo pesado elmo.
E foi assim que conheci minha rainha.

Bruno A. Salles

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